terça-feira, junho 18, 2019

Segunda Etapa: A Situação Européia - Revolução Industrial

************************2ª ETAPA  A,B,C****************


CE CRUZEIRO DO SUL

Professor: Gilberto Moura 

Disciplina: História                                Ano: 2019

Etapa: 2ª   A,B,C                       Turno: Noturno

Aula: 
A SITUAÇÃO EUROPÉIA: REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
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RESUMO:
§  Por volta da metade do século XVIII, especialmente na Inglaterra, começaram a surgir as primeiras fábricas.
§  A máquina a vapor tinha sido uma invenção sensacional: sozinha, ela fazia o trabalho de muitos homens, com a vantagem adicional de não raciocinar nem reivindicar.
§  A burguesia esfregava as mãos de contentamento por causa dos lucros.
§  Enquanto isso, o proletariado (os trabalhadores assalariados) rebentava o corpo horas a fio na fábrica, em troca de míseros salários.
 POR QUE A INGLATERRA FOI A PIONEIRA (A PRIMEIRA)  NA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL?
§  Em primeiro lugar, porque desde o século XVII, com a Revolução de 16401689, a burguesia ocupava o poder.
§  Isso quer dizer que o governo britânico fazia de tudo para dar força aos negócios da burguesia.
§  A destruição do feudalismo tinha criado um enorme bando de pessoas famintas e sem terra.
§  Totalmente “livres” para optar entre trabalhar como desgraçados numa indústria ou morrer de fome desempregados; 
§  Os capitalistas chamam isso de “liberdade de escolha”.
§  Em segundo lugar, foi o enriquecimento de sua burguesia. Durante séculos ela veio investindo e aumentando seu poder econômico.
§  Foi a fase da chamada acumulação primitiva de capital;  
§  Muitos outros fatores facilitaram a Revolução Industrial inglesa.
§  O espírito científico e racional do Iluminismo, os investimentos em tecnologia, as reservas de carvão, a poderosa marinha mercante etc.
§  Disso tudo resultou uma enorme produção de mercadorias, com a consolidação do sistema capitalista.
§  É evidente que a Inglaterra buscou vender seus produtos no mundo inteiro.
§  Estava lançada a corrida pela disputa dos mercados mundiais.
§  A Revolução Industrial designa um processo de profundas transformações econômico-sociais que se iniciou principalmente na Inglaterra – em meados do século XVIII.
§  Caracteriza-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica.
§  A introdução de máquinas fabris multiplica o rendimento do trabalho e aumenta a produção global.
§  A Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial.
§  Entre as principais características da sociedade industrial, podemos citar: a organização das mais diversas atividades humanas pelo capital.
§  A predominância da indústria na atividade econômica e o crescimento da urbanização.
§  Vários historiadores têm dividido o processo de criação das sociedades indústriais em duas fases, a primeira com duração de 1760 a 1860 e a segunda iniciada por volta de 1860.
§  Com essa revolução surgiram também novas formas de energia, como a eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo.
§  A velha Europa agrária foi se tornando uma região com cidades populosas e industrializadas.
§  Com tempo, a Revolução Industrial influenciou profundamente a vida de milhões de pessoas em todas as regiões do planeta.

FATORES DA PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
a) Revolução Comercial:
v A primeira etapa da industrialização foi gerada pela Revolução Comercial, realizada entre os séculos XV e XVIII, principalmente em alguns países da Europa centro-ocidental.
v Para esses países, a expansão do comércio internacional trouxe um extraordinário aumento da riqueza, permitindo a acumulação de capitais capazes de financiar o progresso técnico e alto custo da instalação de indústrias.
v A burguesia européia, fortalecida com o desenvolvimento dos seus negócios, passou a se interessar pelo aperfeiçoamento das técnicas de produção e a investir no trabalho de inventores na criação de máquinas e experiências industriais.
v Além disso, a Revolução Comercial resultou num aumento incessante de mercados, isto é, do lugar geográfico das trocas.
v A ampliação das trocas, que a partir do século XVI os europeus passaram a realizar em escala planetária, levou a radical alteração nas formas de produzir de alguns países da Europa ocidental.

b) O Aumento da Divisão do Trabalho:
v Com a expansão do comércio, o trabalho artesanal, realizado com ferramentas, típico das corporações de ofício, foi sendo substituído por um trabalho mais dividido, que exigiu a utilização de máquinas numa escala crescente.
v A produtividade foi incomparavelmente maior.
v Na França, por exemplo, os sapatos eram produzidos de forma artesanal: um mesmo artesão cortava, costurava, ou seja, realizava sozinhas diversas tarefas que resultavam na fabricação de um sapato.
v Depois da extinção das corporações e do crescimento do mercado, cada operário no interior das fábricas nascentes foi especializado numa determinada tarefa.

c) A Utilização de Máquinas:
v Muito cedo se verificou que maior produtividade e maiores lucros para os empresários poderiam ser obtidos acrescentando-se ao trabalho dividido o emprego de máquinas em larga escala.
v A sociedade industrial caracterizou-se fundamentalmente pela utilização sistemática de maquinário na produção e no transporte de mercadorias.
v Para compreender a importância das máquinas, basta lembrarem que elas, ao contrário das ferramentas, realizam trabalho utilizando basicamente forças da natureza, como o vento, a água, o fogo, o vapor, e um mínimo de força humana.
v Alguns pensadores afirmam que a humanidade realizou seus maiores progressos criando máquinas para utilizar as energias da natureza.
v O progresso se realizou nos momentos em que a humanidade conseguiu fazer as forças da natureza trabalharem por ela por meio das máquinas.
v A exigência de produzir mais, com o aumento das trocas, praticamente “forçou” o progresso técnico, que passou a constituir um dos traços mais significativos do moderno e contemporâneo.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA INGLATERRA
§  A primeira fase da revolução industrial (1760-1860) acontece na Inglaterra.
§  O pioneirismo se deve a vários fatores, como o acúmulo de capitais e grande reserva de carvão.
§  Com seu poderio naval, abre mercados na África, Índia e nas Américas para exportar produtos industrializados e importar matérias-primas.
§  Ao longo dos séculos XVI, XVII E XVIII, houve o acúmulo de capitais em mãos de um pequeno grupo investidor.
§  Esses capitais provinham do comércio colonial, do contrabando, do tráfico de escravos, de transações com outros países.
§  Esses capitais eram igualmente acumulados através de operações no setor da produção agrícola.
§  Esses capitais não eram atingidos por tributos elevados e desde o século XVII dispunham de uma empresa bancária sólida ¾ o Banco da Inglaterra ¾, onde inclusive poderiam ser depositados com amplas garantias, sem se esquecer a possibilidade de obtenção de créditos.
§  Os setores empresariais dispunham de mão-de-obra numerosa e dependente, pois desvinculada dos meios e instrumentos de produção.
§  Essa mão-de-obra crescia em função do aumento demográfico causado pela diminuição do índice de mortalidade e manutenção de alto índice de natalidade, pelo êxodo rural provocado pelos “enclausures” que criavam numerosos indivíduos sem emprego, e pela falência das corporações de ofício, o que, posteriormente, foi ampliado com o declínio das manufaturas.
§  Com a mecanização, aumentando a produção e os lucros, as indústrias se expandiram, embora determinados setores da produção industrial conhecessem progressos mais rápidos do que os verificados em outros setores.
§  No setor dos transportes, duas invenções foram importantíssimas: o navio a vapor, construído por Robert Fulton (1807), e a locomotiva a vapor, idealizada por George Stephenson (1814).

FATORES DA REVOLUÇÃO INGLESA
§  Acúmulo de capital – Depois da Revolução Gloriosa a burguesia inglesa se fortalece e permite que o país tenha a mais importante zona livre de comércio da Europa.
§  O sistema financeiro é dos mais avançados. Esses fatores favorecem o acúmulo de capitais e a expansão do comércio em escala mundial.
§  Controle do campo – Cada vez mais fortalecido, a burguesia passa a investir também no campo e cria os cerceamentos (grandes propriedades rurais).
§  Novos métodos agrícolas permitem o aumento da produtividade e racionalização do trabalho.
§  Assim, muitos camponeses deixam de ter trabalho no campo ou são expulsos de suas terras;
§  Vão buscar trabalho nas cidades e são incorporados pela indústria nascente.
§  Crescimento populacional – Os avanços da medicina preventiva e sanitária e o controle das epidemias favorecem o crescimento demográfico.
§  Aumenta assim a oferta de trabalhadores para a indústria.
§  Reservas de carvão – Além de possuir grandes reservas de carvão, as jazidas inglesas estão situadas perto de portos importantes, o que facilita o transporte e a instalação de indústrias baseadas em carvão.
§  Nessa época a maioria dos países europeus usa madeira e carvão vegetais como combustíveis.
§  As comunicações e comércio internos são facilitados pela instalação de redes de estradas e de canais navegáveis.
§  Em 1848 a Inglaterra possui 8 mil km de ferrovias.
§  Situação geográfica – A localização da Inglaterra, na parte ocidental da Europa, facilita o acesso às mais importantes rotas de comércio internacional e permite conquistar mercados ultramarinos.;
§  O país possui muitos portos e intenso comércio costeiro.
EXPANSÃO INDUSTRIAL
§  A segunda fase da revolução (de 1860 a 1900) é caracterizada pela difusão dos princípios de industrialização na França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Japão.
§  Cresce a concorrência e a indústria de bens de produção.
§  Nessa fase as principais mudanças no processo produtivo são a utilização de novas formas de energia (elétrica e derivada de petróleo o aparecimento de novos produtos químicos e a substituição do ferro pelo aço.
§  Nesta fase formaram-se empresas gigantescas, algumas das quais deram origem às multinacionais do século XX.
§  Surgiram eletricidade e os combustíveis derivados do petróleo.

CONSEQÜÊNCIAS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
1.     Empresários e proletários:
v O novo sistema industrial transforma as relações sociais e cria duas novas classes sociais, fundamentais para a operação do sistema.
v Os empresários (capitalistas) são os proprietários dos capitais, prédios, máquinas, matérias-primas e bens produzidos pelo trabalho.
v Os operários, proletários ou trabalhadores assalariados, possuem apenas sua força de trabalho e a vendem aos empresários para produzir mercadorias em troca de salários.

2.     Exploração do trabalho:
v No início da revolução os empresários impõem duras condições de trabalho aos operários sem aumentar os salários para assim aumentar a produção e garantir uma margem de lucro crescente.
v A disciplina é rigorosa mas as condições de trabalho nem sempre oferecem segurança.
v Em algumas fábricas a jornada ultrapassa 15 horas, os descansos e férias não são cumpridos e mulheres e crianças não têm tratamento diferenciado.

3.     Movimentos operários:
v Surgem dos conflitos entre operários, revoltados com as péssimas condições de trabalho, e empresários.
v As primeiras manifestações são de depredação de máquinas e instalações fabris.
v Com o tempo surgem organizações de trabalhadores da mesma área.
v Sindicalismo – Resultado de um longo processo em que os trabalhadores conquistam gradativamente o direito de associação.
v Em 1824, na Inglaterra, são criados os primeiros centros de ajuda mútua e de formação profissional.
v Em 1833 os trabalhadores ingleses organizam os sindicatos (trade unions) como associações locais ou por ofício, para obter melhores condições de trabalho e de vida.
v Os sindicatos conquistam o direito de funcionamento em 1864 na França, em 1866 nos Estados Unidos, e em 1869 na Alemanha.

4.     Aumento da produção e da urbanização:
v Em virtude da Revolução agrícola que diminuiu a necessidade de muita mão-de-obra nos meios rurais.

INDUSTRIALIZAÇÃO E MUNDO COLONIAL
§  O aumento da produção industrial no início do século XIX fez com que a burguesia inglesa se preocupasse cada vez mais com a abertura constante de novos mercados.
§  Para a Inglaterra tornou-se interessante a derrubada das barreiras mercantilista que criavam obstáculos ao comércio internacional.
§  Nas primeiras décadas do século XIX, os ingleses contribuíram decisivamente para a derrubada do Pacto Colonial na América ibérica, apoiando os grupos locais que lutavam pela independência.
§  Com o fim da dominação colonial de Portugal e Espanha, iniciou-se nessa parte da América uma fase de dominação do imperialismo inglês.

REVOLUÇÃO NOS TRANSPORTES
§  No início do século XIX, a máquina a vapor começou a ser utilizada nos meios de transporte.
§  Data de 1807 o primeiro barco a vapor. Em 1825, na Inglaterra, o engenheiro George Estephenson conseguiu construir a primeira estrada de ferro.
§  Com o barco a vapor e as estradas de ferro, o tempo das viagens diminuiu, o custo dos transportes baixou e aumentou ainda mais o volume das trocas, isto é, o mercado.
v Com o aumento das trocas e a conseqüente necessidade de produzir mais, tornaram-se cada vez maiores os avanços da industrialização.
 REFERÊNCIA:
ATIVIDADE:

       Profº Gilberto Moura, História, Aula: O que é a Revolução Industrial?,2ª Etapa, 1º Período, 2019.